Hoje quero
falar de uma profissão que sempre me encantou. Sim, ser professora não
foi uma opção que escolhi por falta de oportunidade, mas sim, por vocação e encantamento.
Quando criança brincava de professora, como não tinha alunos ( meus irmãos e
amigos não gostavam da brincadeira). Então ia para junto de um formigueiro e lá,
junto àquelas pequenas e batalhadoras formiguinhas, começava minha magia
de faz de conta. Tinha uma sala de aula e melhor, muitos alunos.
Era assim
que aprendia as lições da escola, tudo que era ensinado em sala de aula eu
repassava, escrevendo com um pauzinho e explicava também, tudo que a professora
falava eu reproduzia. Minha lousa era o chão do formigueiro e o giz um pedaço
de pau.
Assim,
cresci com o firme propósito de me tornar uma professora de verdade, e consegui.
Dediquei a maior parte de minha vida a ensinar, crianças, jovens, adultos.
Nunca me arrependi, pois meu trabalho era meu mundo, minha forma de sentir
útil, importante! O salário é verdade, não faz jus ao valor e importância dessa
profissão, mas temos recompensas grandiosas, incomparáveis, impagáveis.
Hoje, Deus
quis que eu não mais pudesse reger uma sala, mas quando se é professor, a alma
é contaminada pelo desejo de ensinar, o espírito é alimentado com a magia de semear,
de colher, de aprender. Ser professor é para sempre, um eterno faz de
conta, onde os heróis são fabricados para se tornarem autores de um grande
espetáculo, a vida.
Sei que é de
brincadeirinha, no Era uma vez... Que se começa uma história, mas ela pode ser eterna.
Ser professor é para a vida toda.
Embora, consciente
de que nossa vida é uma história, e como toda, o seu final depende do autor. É bom saber que, quem
escreve o faz, conforme o ator ou atriz, se estes mostrarem bom desempenho,
chegarão até o fim e muitos até conseguem, mais do que esperado e roubam a cena.
O enredo é escrito pensando na atuação e na desenvoltura de cada componente do elenco.
Estes conseguem escrever sua história e até mudar seu final, mesmo quando o
papel, seja apenas uma participação ou figuração. Claro que devemos pensar no
oposto, o protagonista às vezes pode ser trocado pelo figurante.
Não
sei, mas penso que escrevi muito fantasiosamente, sou um tanto sonhadora.
Não! Sonho apenas o que minha imaginação me faz acreditar. Qual o sentido deste
texto? Indago, comecei pensando fazer
uma homenagem aos professores, um pouco atrasada, mas antes tarde do que nunca.
Então, comecei falando da minha própria experiência, percebi que havia
mudado o objetivo do texto. Motivo, emoção! Lembranças passam como um filme. E
quando penso que por motivos de saúde, não pude continuar minha história, entristeço.
Não era minha pretensão ser a atriz principal,
queria atuar, mas acreditando poder apresentar um belo espetáculo. E foi quando
me dei conta, de que o bom ator deve estar sempre preparado, pois a vida de seu
personagem está na imaginação do autor. A minha ainda está sendo escrita, antes
acreditava ser eu mesma a escritora do meu destino, hoje sei, que posso até
pegar a caneta, o lápis, o papel, usar o computador, mas, contudo, a escrita
independe de nossa vontade, criatividade, ousadia, talento. E então? Cruzar os
braços? Sair de cena antes que as
cortinas se fechem?
Isso até
pode ser o final de muitas estrelas. Aquelas que tentaram fazer de seu personagem,
o herói fracassado, o mártir. Coitadinho!
O sucesso de
quem nunca sai de cena é saber que só se faz um espetáculo, quando nos deixamos
ser dirigidos pelo maior Diretor do Universo, que é também o grande Redator da Vida.
E agora,
será que tem lógica, essa mistura de desabafo, homenagem e talvez... Como diria
Chico Buarque (o adoro), “agora eu era Herói, e meu cavalo só falava inglês”...
João e Maria, personagens de história infantil. Belo uso da linguagem,
agora, advérbio (tempo presente, neste momento), Eu era,
pretérito imperfeito linguagem de criança para brincar, é aquele que "as
crianças pronunciam quando assumem uma personalidade imaginária, quando entram
na fábula, quando terminam os últimos preparativos para a brincadeira)".
Enfim, é um presente, o agora especial.
O motivo de
citar a música? Acho que para lembrar os tempos antigos quando ensinava (numa
sala de aula), falar da fantasia, do faz de conta, no imaginário, que todo
professor precisa ter dentro de si e também despertar no seu aluno. Essa capacidade
de brincar de se transportar, relembrar o uso dessa linguagem, dos contos de
fadas.
Percebo que
as pessoas estão perdendo a capacidade de sonhar de brincar, fazem uma
interpretação muito pesada da vida. Podem pensar que estou escrevendo sem nexo,
mas o que quero mesmo é sonhar que estou dando uma aula, e isso eu posso. Posso,
enquanto tiver minha alma Pedagoga( com muito orgulho), não vou ensinar
às formigas, nem vejo mais formigueiros. Que pena! Mas posso usar o computador
e brincar. Posso escrever besteiras? Não deveria, mas posso. Escrever errado,
também não( professor não pode errar! será?). Não prometo, mas se acontecer fique
a vontade, estou aprendendo também, lembrem, aprendi com as formigas. Estou
tentando reaprender.
Então,
voltando a Musica João e Maria, que
nem sei o motivo de vir fazer parte deste texto, mas já que veio, aproveito ,
para alertar a muitas pessoas que fazem uma ideia muito errada do que o
autor quis com a letra, muita gente pensa que Chico faz alusão à repressão, e a
Ditadura....Nada Haver.
Chico
recebeu a melodia feita por Sivuca, tempos depois fez a letra, revivendo
sua infância, com base nos contos dos Irmãos Grimm.
Sei que sou Educadora e posso continuar fazendo a diferença, onde
ensinar é um presente de Deus.
Devemos nos
orgulhar de ser chamados mestres! Como é bom saber que Ele - Jesus - também foi
um dos nossos "companheiros". O Mestre dos Mestres?
Rosângela de Fátima Ferreira Crispim
Vídeo - João e Maria (Chico Buarque e Nara Leão)
Grande Homenagem aos Professores